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Como ovelhas sem pastor

A ideia de que “homem não chora” já não é tão aceita hoje como era antigamente. Mesmo assim, é natural que se avalie o que seria suficiente para fazer um homem adulto chorar. Qual seria uma motivação válida? Naturalmente, aquilo ou aquele que nos faz chorar demonstra nossa escala de valores, o que amamos especialmente, o que realmente importa para nós.
A Bíblia nos informa as poucas oportunidades em que Jesus chorou. Uma delas foi por ocasião da morte de seu amigo Lázaro. As pessoas em volta avaliaram que as lágrimas atestavam que, certamente, Jesus amava Lázaro. Outra situação foi em Lucas 19.41, diante de um povo sofrido e perdido, efetivamente sem pastor. Em Mateus 9.36, somos informados de que Jesus é tomado de compaixão diante do fato de que as multidões eram “como ovelhas que não têm pastor”. Após a ressurreição, a manifesta vontade de Deus para Pedro (Jo 21.15-17) não deixa dúvida de que essa era uma questão importante para ele. Para o Senhor Jesus, não faz sentido que as pessoas estejam perdidas, sem esperança e sem orientação – como ovelhas sem pastor. Essa questão deve ser importante também para nós. Certamente faz parte do plano de Deus que as pessoas sejam pastoreadas, e é nosso trabalho, como líderes ministeriais, cooperar na tarefa de suprir a igreja do Senhor Jesus com pastores segundo o coração de Deus.

“Ovelhas sem pastor” entre os não crentes

O olhar perceptivo e generoso de Jesus tem sido inspiração para muitos dos líderes evangélicos que não são indiferentes ao sofrimento humano. Incomoda para esses irmãos e irmãs o fato de que uma parcela significativa da população não seja pastoreada, uma vez que está fora do rebanho do Senhor. São homens e mulheres, adultos e crianças, pessoas de todas as classes sociais, pessoas perdidas. A morte espiritual as faz serem incluídas nesse grupo pelo qual choram os líderes que se preocupam com as mesmas causas que produzem as lágrimas do Senhor Jesus.
Na Bíblia, os que não viram ainda a “grande luz do Evangelho” (Mt 4.16) estão em trevas, e são como ovelhas sem pastor. Estão perdidos, alienados da família de Deus, condenados, “sem esperança e sem Deus no mundo” (Ef 2.12). Por essa razão estão incluídas no público-alvo deste trabalho. Carecem de um pastor, e carecem ainda de um encontro pessoal com Jesus Cristo, nosso Senhor.
Essas “ovelhas sem pastor” estão por todo lado, e na verdade, formam a grande maioria da população. Se, por exemplo, nos detivermos em notar quem são nossos vizinhos, vamos encontrar pessoas sem pastor. Estão nos diversos ambientes de trabalho. Um passeio a uma feira livre ou a um shopping center será a oportunidade adequada para encontrar pessoas que são como ovelhas sem pastor. Basta ligar a televisão, ir até a rodoviária da cidade ou a um aeroporto, conhecer os alunos, funcionários e professores de uma escola, ou mesmo fazer uma visita a um hospital ou a uma prisão. É como ovelha sem pastor a grande maioria dos moradores das grandes cidades, tanto os da periferia quanto os que vivem em suas regiões nobres. Pessoas das diferentes gerações podem ser identificadas como parte desse rebanho desgarrado e desassistido. Essas pessoas que podem ser identificadas como ovelhas sem pastor estão nas pequenas cidades de interior, nas comunidades indígenas, entre os quilombolas e sertanejos. Muito mais do que a metade da população brasileira é como ovelha sem pastor! E o Senhor Jesus se angustiava por causa dos que eram percebidos desse modo!
Sem um pastor, essas pessoas fazem o que lhes vem à mente. Vivem de acordo com as normas sociais e ditames do sistema de marketing que influencia a uns e a todos, são levados pelos ventos de doutrina, pelos enganos do inimigo. Mesmo do ponto de vista religioso, são cegos que guiam outros cegos e, por isso, estão perdidos mesmo quando se tornam consumidores de empresas religiosas que lhes exploram a fé, mas não lhes oferecem pastoreio verdadeiro. Talvez não desejemos incluir esse grupo entre o que chamamos de “ovelhas sem pastor” porque, em um sentido, ainda não são ovelhas. A verdade, porém, é que não seria justo excluí-las, especialmente considerando o fato de que aqueles por quem Jesus se compadeceu seriam incluídos especificamente nesse grupo, pois ainda não criam nele.

“Ovelhas sem pastor” entre os crentes

Primeiro tenho que contar com a gentileza de quem lê para não tomar ao pé da letra os rótulos que não consegui evitar – crentes e não crentes, por exemplo. Estou me referindo agora ao fato de que há um enorme crescimento no número de igrejas chamadas de “evangélicas”, e seus frequentadores são, geralmente, chamados no Brasil de “crentes”. A preocupação, então, está em duas dimensões: igrejas sem pastor e igrejas que contam com um ou mais pastores, mas cujos membros não são efetivamente pastoreados.
Vamos colocar toda a questão a partir de um tema bastante recorrente entre os que se envolveram com formação de líderes pastorais (sendo ou não parte da organização TOPIC). Primeiro, as pessoas criadas por Deus e que povoam a terra devem ter direito a uma manifestação da presença de Deus no mundo na forma de igreja – ou seja, no nosso caso, cremos que a presença da igreja deve ser sentida em todos os cantos e recantos do Brasil. Segundo, cada uma dessas igrejas (organismos ou instituições) possui o direito de ser devidamente pastoreada. Terceiro, o pastoreio de cada igreja deve alcançar de modo efetivo e eficaz a cada um de seus membros, da maneira mais plena possível. Uma suspeita que realmente nos incomoda é que haja uma grande quantidade de membros de igrejas que estão privados do benefício de um pastoreio adequado.
O percentual de pessoas que se dizem evangélicas ou protestantes no Brasil aumentou muito nos últimos anos, como pode ser notado pelo “senso comum”, e até mesmo pelas agências oficiais de estatísticas. O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – informa que em 1980 éramos 6,6% da população brasileira, em 1991 passamos para 9,0%, e já nos anos 2000 éramos 15,4% de evangélicos em relação à população brasileira. Em 2010 chegamos a 22,2% de evangélicos. Considerando o crescimento populacional, esse aumento se torna, de fato, algo extraordinário. A própria mídia tem divulgado o fato do crescimento de evangélicos, e trata o fato como um movimento que afeta especialmente o catolicismo brasileiro, porque, de fato, grande quantidade de pessoas mudou de religião e agora se denomina evangélica. Há evidências claras de que até mesmo a liderança católica tem se preocupado com o fato e diversos esforços têm sido dedicados no sentido de tentar diminuir a perda de fiéis. A aceitação do movimento carismático católico, o surgimento de padres populares (astros de música e de comunicação com auditórios e literatura), somados a esforços oficiais, como a visita do Papa Francisco ao Brasil logo no início de seu pontificado (aliás, um papa de perfil bastante popular) por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, são exemplos que evidenciam essa percepção e o esforço para evitar uma avalanche ainda maior de católicos em direção às igrejas denominadas evangélicas (sejam elas quais forem).
O crescimento do número de evangélicos no Brasil, assim como em outras partes do mundo, foi, naturalmente, acompanhado pelo crescimento do número de igrejas locais. Se os templos evangélicos praticamente não existiam nos primeiros quatrocentos anos da história do Brasil, e eram relativamente poucos até os primeiros dois terços do século 20, o que se observou foi um aumento gradativo a partir dos anos 70 ou 80, e uma verdadeira multiplicação de templos evangélicos distribuídos por todos os recantos do país neste início do século 21. Cidades e regiões em que a presença evangélica era insignificante (ou mesmo desconhecida) passaram a perceber diversas portas abertas com o nome de igreja evangélica. Algumas cidades brasileiras chegam a exibir dois, três ou mais templos em uma mesma rua e, em alguns casos, há até mesmo uma competição de uma igreja bem ao lado de outra.
As denominações históricas (pentecostais ou tradicionais), que tinham certo controle sobre o processo de abertura de novas igrejas, receberam a companhia de inúmeras outras denominações e igrejas independentes. Hoje, no Brasil, há igrejas de todos os tipos e tendências e, em alguns casos, pode-se encontrar igrejas chamadas evangélicas que têm pouco em comum com as igrejas evangélicas que conhecíamos no país em anos anteriores. Olhando de uma perspectiva otimista, há muitos que consideram algo bastante positivo o fato de termos a multiplicação de pessoas que se denominam evangélicas e de templos conhecidos como evangélicos. De outro lado, não há dúvida de que há urgente necessidade de uma estrutura bíblica, teológica e pastoral para esse movimento que testemunhamos, no qual alguns parecem meio satisfeitos, mas a maioria de nós, líderes evangélicos brasileiros, estamos na verdade bastante incomodados.
A palavra “incômodo”, usada acima, pode constranger muitos de nós, porque fomos ensinados (com verdade) que o crescimento do Reino de Deus, a conversão de pecadores e a “substituição de botecos por igrejas” em todo lugar, deveria incomodar o inimigo, Satanás, e não aos líderes cristãos. Estes deveriam glorificar a Deus e celebrar esse momento de euforia e colheita abundante em nossa pátria e em tantos lugares do mundo. O que, de fato, perturba é pensar sobre o rumo para onde esse incômodo nos conduzirá, diante de tantos desvios daquilo que se pode considerar o cristianismo verdadeiro. A conversão de pecadores e formação de novas igrejas são motivo de exultação, e não de preocupação. O problema está na inconsistência das conversões.
Outro problema enfrentado pela igreja evangélica brasileira é notar, tristemente, que há muitos casos em que as igrejas que surgem são, na verdade, distantes da natureza essencial do que significa ser uma igreja neotestamentária. Muitas delas lidam com dificuldade para cumprirem a missão bíblica de uma igreja verdadeiramente cristã. Desse modo, surgem as opções de tomar parte em um perigoso movimento contra as igrejas (com críticas teológicas ou pragmáticas), ou a criação de um projeto sério que tenha como objetivo ajudar essas igrejas e os que as frequentam a se aproximarem mais do modelo bíblico do que significa ser igreja evangélica e crente em Jesus, nosso Senhor.
Não são raras as vezes em que confundimos templo com igreja em nossas conversas diárias. Pode-se dizer que não há nada de errado nisso, uma vez que a língua portuguesa nos faculta o direito de usar figuras de linguagem que facilmente indicam que quando mostramos o templo, não estamos nos referindo apenas a ele, mas à igreja de fato. Fica ainda manifesto no senso comum a natural facilidade com que nos esquecemos tantas vezes de que somos pastores de pessoas, e não de prédios ou de instituições. A confusão é ainda maior no contexto de diversas de nossas igrejas locais no Brasil que passam por momento de estruturação e estão, muitas vezes, envolvidas em construções, elaboração de documentos e outras atividades nessa área. O pastor chega a acreditar que está edificando a igreja quando, na verdade, está edificando um prédio; pensa que está fazendo nascer uma igreja quando, na verdade, está legalizando documentos e institucionalizando a igreja (o que parece inevitável!). É como se o perfumista se contentasse com a fabricação de vidros bonitos, ou o chefe de cozinha se alegrasse em fazer panelas. Diante da natural dificuldade de se lidar com pessoas, alguns colegas se dedicam exageradamente a tijolos e concreto. Precisamos aqui firmar um ponto básico em ministério pastoral: pastoreamos pessoas!

• Trecho retirado do capítulo 1 de OVELHAS QUE TÊM PASTOR - Formação de líderes com coração pastoral de João Cavalcante (Editora Esperança)

 

Publicado em Saúde da Igreja
“Bendito é o que vem em nome do Senhor. Da casa do Senhor nós os abençoamos”
(Sl 118.26)

Quando fazemos firmações sobre as quais não temos convicção alguma

O Domingo de Ramos abre de maneira dramática as comemorações pascais. Com a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém tem início também a semana das dores do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, cujo ponto alto é a crucifixão e morte do inocente Jesus na cruz do calvário.

Entre os hosanas de um povo em festa, cuja liturgia já estava prevista no Antigo Testamento como atesta o Salmo 118, Jesus entra em Jerusalém aclamado Rei, sucessor de Davi e consequentemente reconhecido pela turba como o Messias prometido. Como a própria narrativa bíblica ensina, é fácil deixar-se envolver emocionalmente com os aspectos exteriores da religião. É fácil ser impactado pela mensagem e ser como que induzido a fazer afirmações sobre as quais não se tem convicção alguma.

De fato, tudo o que a multidão exclamou no que diz respeito a Jesus era verdadeiro. Tudo o que Jesus viveu de forma dramática naquele dia cumpria em ínfimos detalhes o que prediziam os profetas. Todavia, a maioria daqueles que ali estenderam as suas vestes e cortaram e agitavam os seus ramos estavam como que tomados de uma experiência religiosa instantânea, porém passageira, sem fundamento, sem experiência pessoal e espiritual, que fizesse nascer uma convicção inabalável quanto a pessoa de Jesus.

Religiosidade e incredulidade não necessariamente antagônicas

Muitos dessa mesma multidão, uma semana depois, na sexta feira da paixão, trocarão os “hosanas” pelos “crucifica-o”, não mais gritarão “Bendito o que vem em Nome do Senhor”, mas berrarão a plenos pulmões “solta-nos Barrabás”. Tudo isso aconteceu por incredulidade. Religiosidade e incredulidade não necessariamente são coisas antagônicas. Na verdade, há mais incredulidade nas Escrituras estampada entre o povo da Aliança do que das nações ditas pagãs. O próprio Senhor Jesus achou mais fé no centurião romano do que em seus patrícios Judeus. Esses, no dia em que Jesus entrou em Jerusalém, celebraram uma festa litúrgica sem igual. Deram pública demonstração de serem um povo religioso e que conhecia as Escrituras. Mais tarde, porém, o que vimos foi a farsa de corações não convertidos ser desmascarada às portas do palácio de Pôncio Pilatos.

A igreja de todos os tempos e de todas as tradições corre sempre o mesmo perigo. É possível que nos acostumemos à religião. É possível que reduzamos nossa vida cristã a experiências emocionais, ao formalismo religioso, ao ativismo e etc. Também é possível que façamos uma leitura bíblica inofensivamente devocional e que jamais cheguemos à maturidade da fé e as implicações do texto que devem transformar o nosso ‘ethos’. O cristianismo nominal ou uma vivência do evangelho sem profundidade pode ser incredulidade, a mesma que entregou Jesus ao suplício, a mesma que pediu a sua crucifixão, a mesma que o abandonou no calvário, a mesma que trancafiou e paralisou os discípulos no cenáculo naqueles dias.

O Domingo de Ramos é uma boa ocasião para que todos, como igreja e como discípulos individualmente, façamos um exame sincero e profundo de nosso compromisso comunitário e pessoal com o seguimento de Jesus. Um tempo propício para que investiguemos as disposições de nossos corações quanto a sinceridade, o nível de compromisso e implicações com as afirmações de fé que fizemos em nosso batismo e em nossa pública profissão de fé.

Minha participação na igreja tem mais a ver com costume e tradição do que com certezas pessoais?

Seria possível que nossa pertença à igreja tenha mais a ver com costume e tradição do que com certezas pessoais? Seria possível que nossa ativa participação na vida da igreja tenha mais a ver com a natureza social e gregária da comunidade, sendo mais uma cultura e um estilo de vida, do que uma aliança cujo propósito é a missão?

A Entrada de Jesus em Jerusalém nos recorda o nível de profundidade do compromisso de Jesus com o seu Pai. Jesus desejou estar ali. Jesus quis ardentemente viver aqueles eventos com os seus discípulos. Jesus encaminha-se livremente para a cruz. Não só nos recorda e faz saber essas coisas, mas a festa de Ramos também é um convite para que cada cristão renove o seu ardor por Jesus.

É gracioso chamado para que cada crente e toda a igreja voltem ao seu primeiro amor, aos dias daquele entusiasmo quando estávamos dispostos a sacrificar-nos para estar onde Jesus estava, para ouvir o que ele tinha a dizer e para obedecer prontamente ao que ele ordenava fazer. Que nossos lábios proclamem hosanas ao Rei e que nossa vida grite no coração do mundo: “Bendito o que vem em Nome do Senhor”. Vem Senhor Jesus!
 
Por Luiz Fernando dos Santos
É ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira (SP) e professor de Teologia Pastoral e Bioética no Seminário Presbiteriano do Sul, de Filosofia na Faculdade Internacional de Teologia Reformada (FITREF) e de História das Missões no Perspectivas Brasil.
 
 
Publicação original:
http://www.ultimato.com.br/conteudo/pode-a-mesma-boca-que-diz-hosanas-ao-rei-gritar-crucifica-o
Utilizado com autorização
 
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Em suas viagens, visitando movimentos em cada um dos Nove Cômodos da Casa do Islã, David Garrison perguntou a mil seguidores de Cristo de origem muçulmana: “O que Deus fez para trazê-lo à fé em Cristo? Conte-me sua história”.

David Garrison, PhD na Universidade de Chicago, tem estudado o islã e a atuação de Deus entre os muçulmanos desde seu tempo como estudante de árabe no Egito, há duas décadas. É autor e editor de nove outros livros sobre a forma como Deus tem atuado entre as pessoas menos alcançadas do mundo.

Saiba mais em:

http://www.editoraesperanca.com.br/loja/lancamentos

 

 

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